7 de jul de 2013

Besouro

Caso Psicótico - Distúrbio mental violento - Nº: 318
Registrado Na 16ª D.P de SP, São Paulo, Vila Clementino para transferência do detento de solitária para sanatório mais próximo e mais rápido o possível. Detento com tendências suicidas. Segue anexado em documento informações e registros.

Nome: Aldo Pereira Coutinho
Idade: 18
Nível do Distúrbio: Grave

Registro digitado a partir do relato gravado em áudio da parte do paciente, para futuros estudos:

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"Meu nome é Aldo. 18 anos. . Não sei de merda nenhuma, sinceramente, mas por falta do que fazer, ou falta de opção, vou contar o que me lembro dessa merda toda.

Começou do jeito mais comum o possível, algo que me parecia idiota a princípio provou ser bem mais sério do que eu imaginava. Voltava do motel jogo de futebol com o pessoal, e quando passamos perto do lixão, ouvi muitos sons de moscas, besouros, insetos em geral. E vi vários, também. Haviam muitos, mas era o normal. Tomei um  um susto e pulei para trás, mas ainda assim um veio voando na minha direção, um besouro verde escuro, do tamanho de uma bola de gude.

Me debati e esperniei, acertei quase todo mundo com socos e pontapés pra me livrar do besouro, mas ainda assim o filho da puta sumiu da minha visão sem ser morto. Ainda ouvia o barulho dele, mesmo com todos gritando e perguntando se tinha enlouquecido. Me acalmei aos poucos e fui me levantando, me apoiando no chão, quando olhei para minha mão no asfalto e vi um relevo, do tamanho de uma bola de gude, por debaixo da minha pele.

Gritei, sacudi a mão e tampei o relevo. Ofeguei e relutei até tirar a mão de cima, mas quando o fiz, estava tudo bem. Nenhum sinal de caroço absurdo sob a pele. Só uma sensação incômoda de algo estar errado. Todo mundo me encarando estranho e rindo de mim, alguns falaram que era efeito de drogas. No caminho de volta até minha casa, vim conversando e citei o lixão cheio de insetos. Ninguém mais tinha visto nem ouvido inseto algum. Ri. Não sei de que, mas ri. Talvez fosse só as drogas mesmo.

Fui me masturbar, bem mais tranquilo, quando notei que meu pinto sangrava. Fiquei muito assustado e sem entender direito a situação. Num instinto, fiquei olhando para o sangue, sem saber o que fazer. Então começou o inferno. Um zumbido, bem baixo, daqueles que moscas, mosquitos ou pernilongos fazem quando passam perto do seu ouvido. Agoniante. Esbofetiei meus ouvidos para afastar seja lá o que fosse, mas não sumia. O som começou a aumentar.Até que em um ato de desespero me joguei contra o box.



Acordei em meu quarto, com curativos no pinto e um médico saindo, apertando a mão do meu Pai e dizendo que ficaria tudo bem. Que havia sido apenas um ataque, talvez hormonal ou emocional. Relativamente comum entre jovens sob tanta pressão como eu provavelmente era...


Me sentei na cama, bem mais relaxado depois de um dia tão estranho. Domingo. Ainda eram duas da tarde.Eu resolvi cheirar uma enquanto meu pai não vinha.Coloquei a droga na bandeja e cheirei. Olhei para a bandeja, respirei fundo e senti uma pontada no peito.

Me joguei para trás e vi o besouro debaixo da minha pele de novo. Agora não tinha mais medo dele. Tinha raiva. Ia matar ele. Vi ele descendo até perto da minha cintura, me joguei e peguei a faca de serra  e depois de pensar duas, três, quinze vezes, enfiei a faca no começo da minha virilha, bem rente ao maldito, que não se mexeu. Quando comecei a cortar a pele ao redor para tirar ele de mim, meu pinto caiu, a faca o cortou.

Meu pai chegou, olhei para ele, e quando olhei de volta, o besouro havia sumido. Só havia um buraco na minha virilha e bastante sangue. 'Caralho, moleque, caralho!', gritou meu Pai. Olhei para ele com medo, não dele, e sim do que vi no rosto dele.

Lembro de minha Mãe tentando conter ele e de desmaiar de novo.

Acordei preso com algemas e dentro de um cubículo preto. Com novos curativos. É... era uma solitária. Ouvi mais uma vez uma conversa, dessa vez, de um homem com minha Mãe. 'Precisamos manter ele aqui, senhora, enquanto a ambulância do sanatório não chega. É pela segurança de todos, principalmente, a dele mesmo'. Ouvi minha mãe chorar e seu choro se afastar nos corredores.

A mais ou menos uma hora atrás vieram me amarrar com cordas para evitar qualquer movimento. É... eu estive me jogando contra as paredes desde que ele voltou a aparecer sob minha pele. Podia escutar ele andar pelos meus músculos, tendões, juntas. Indiscritivelmente nojento.

Me amarram. Só posso observar e sentir enquanto eles rastejam sob minha pele. Sim, não é só mais um. Ele colocou... Colocou ovos debaixo da minha pele, e alguns já se abriram. Vários circulam pelo meu corpo e mais estão por vir, das dezenas de ovos que ele pôs...

...Acho que quero droga...

...Por favor...

...Me der drogas..."

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Matéria original:http://creepypastabrazil.blogspot.com.br/2012/08/besouro.html

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