30 de mai de 2013

O porão

Eu estava sozinho por uma semana em casa, pois minha família tinha me abandonado saído de viagem, enquanto eu tinha de ficar para trabalhar. Era por volta de 2 da manhã, e eu tinha ficado acordado para assistir um filme de terror no escuro do meu porão. Eu estava na intenção de realmente me assustar e ver quão longe eu consegui ir no terror - mesmo sabendo que eu estava seguro na minha própria casa. 


Então eu fumei maconha e começei a imaginar, enquanto estava lá, ouvi barulho de passos no primeiro andar. Isso era uma coisa comum e irritante que acontecia quando minha família estava em casa - toda vez que eles passavam pelo corredor principal, que passa por cima do porão, eu ouvia passos. Dessa vez, o medo me atacou de primeiro quando ouvi. Meu reflexo foi de desligar a televisão imediatamente... a porta do porão era em um lance de escadas no canto do corredor, então quem quer que fosse, não veria nenhuma luz. 


Eu ouvi com os olhos o trinco da porta girar em um clique enquanto eu estava sentado no escuro absoluto. Eu me movi devagar de um jeito que não fizesse barulho e engatinhei para trás da nossa enorme televisão. Enquanto eu passava centímetro por centímetro, eu notei com pânico que a tela preta da televisão ainda brilhava vagamente. Eu ouvi passos descendo enquanto a escada estalava.

Eu congelei no meu esconderijo, ouvindo. Por muitos minutos, eu não ouvi nada. Teria o intruso visto a televisão ainda desligando, ou já tinha escurecido a tela toda em tempo? Estaria ele de pé no escuro tentando me ouvir? Me pareceu que eu tinha ficado totalmente imóvel em silêncio lá por um longo tempo. Meu pânico começava a diminuir, e comecei a pensar mais claramente.

Será que realmente tinha um estranho em minha casa? Seria possível que alguém estivesse de pé no escuro em silêncio por tanto tempo sem fazer nenhum som? Veja amanha, no globo reporter. O porão estava tão silencioso, que a ausência de som começava a doer nos meus ouvidos. Poderia a pessoa desconhecida ser capaz de conter o barulho de sua respiração, do seu andar ou de qualquer outra coisa? Se tinha um intruso ali, ele ainda estava no porão, porque os estalos da escada eram muito altos, o trinco da porta fazia um click, e ele não conseguiu mascarar seus passos no primeiro andar, então não tinha o porque de conseguir mascarar aqui em baixo...

Eu comecei a contar na minha cabeça, tentando fazer o tempo passar enquanto gotas de saliva escorriam de minha boca para o carpete(oi, eu sou retardado :) ...) - Eu não me arriscaria ao som de engolir. Eu cheguei nos sessenta segundos uma, duas, três vezes... seis vezes... agora meu medo tinha desparecido e eu estava mais confuso do que nunca. Estimei que estava agachado no escuro por mais ou menos duas horas, e ainda não tinha ouvido nada. Se ali estava um intruso, nada disso fazia sentido... finalmente, eu decidi que eu faria um movimento. Se eu não fizesse nada, eventualmente a luz do sol viria, e a luz entraria pelas pequenas janelas do porão... e, pior, eu comecei a sentir cheiro de algo horrível e enjoativo.

Vagarosamente, muito vagarosamente, eu comecei a me deslocar em direção a escada me direcionando pelas paredes. Se alguém estivesse de pé no escuro, eu seria capaz de contorna-lo e correr pelas escadas... enquanto isso, o cheiro horrível aumentava. Teria algo morrido aqui durante a noite? Nenhuma pessoa viva poderia cheirar daquele jeito... imagens terríveis de tipo de monstros decompostos no escuro passaram pelos meus pensamentos, e me movi o mais rápido que eu pude sem fazer nenhum barulho.

Ao que me aproximei das escadas, ouve um barulho altíssimo, como se algo caísse no chão. Nesse momento, deslizei até as escadas e corri até em cima para passar pela porta aberta do porão. Agora, certo de que havia algo na casa, eu chamei a polícia e fiquei observando minha casa de longe.

Os policiais vieram, checaram a casa e saíram com uma expressão bastante grave para me fazer umas perguntas. Eles acharam um corpo em minha casa. Meu vizinho velho, que aparentemente morreu de um ataque cardíaco. O veredito deles é que eu devo ter deixado a porta da frente destrancada, e ele entrou, andando pela casa enquanto morria, procurando ajuda. A princípio, me senti otimo, antes ele do que eu. 

Então me ocorreu - que maldito barulho foi aquele de coisas caindo, quando eu estava saindo do porão? Perguntei aos policias e eles me esclareceram que não havia nada além disso, salvo a porta dos fundos que estava aberta e uma única pegada borrada na lama.

De algum jeito, por alguma razão que eu nunca saberei, havia mais alguém no porão conosco... silenciosamente, aguardando, e ouvindo tudo, acima do corpo fresco do velho homem morto.

Era um rato.


 
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